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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

I


Sara segura firme ni pescoço de João para sair da cama. Ele a segura pelas costas e por trás do joelho e a coloca o mais gentilmente possível na cadeira. Então os dois começam a se dirigir ao portão.

- João, posso te fazer uma pergunta?
- Pode; responde ele, distraído com a teimosia da cadeira ao passar por uma porta.
- Porquê você nunca mais tentou nada... Você sabe... Comigo?

Sara achou que sua voz tinha traído seu nervosismo quando falhou no final da frase, mas ele não notou. Seus olhos, porém, saíram das rodas e se dirigiram imediatamente à ela, com a mesma testa franzida com que encarava as rodas da cadeira.

- Como?
- Tipo, é por causa do cabelo? Agora ela olhava para ele, com uma expressão chorosa. Ou da doença?
- O que você quer dizer? A expressão dele não mudava.
- Antes disso tudo acontecer; ela faz um gesto amplo com os braços; você disse que tava a fim de mim, e eu respondi pra você que só te considerava um amigo. Ela olhou para baixo, com vergonha por ter trazido aquele assunto constrangedor à tona. Ele porém não demonstrava nenhuma emoção além da atenção ao caminha que tomavam na calçada, à sua frente. 
- Você disse que entendia e que não ia insistir no assunto depois daquilo
- Eu não insisti; respondeu ele, prontamente.
- Não! Você não insistiu, não estou falando disso... Depois veio a doença e foi horrível, e você continuou sendo um amigão. O melhor. Sou agradecida por tudo que você fez e tal... Mas eu tava curiosa... Você ainda... Sente aquilo... Por mim?
- Sim; ele respondeu, ainda olhando pra frente. E é meio insultante você falar que eu não iria mais gostar de você por causa de uma coisa como sua doença ou sua queda de cabelo.

Sara corou, e isso não era fácil de fazer numa situação como a dela. A resposta direta de João a atingiu como um soco e ela gostaria de ser tão direta como ele. Era firmeza demais para uma situação tão embaraçosa. 

- Ah, me desculpe; Sara respondeu, envergonhada, só para se arrepender depois. Não tinha do que se desculpar e pedia desculpas vezes demais. Mas então porque você nunca mais tentou nada? Quer dizer, quando você está a fim de alguém com o tempo você insiste nem que seja um pouco né?
- Tá bom já chega; disse João parando a cadeira. Eles estavam então numa pequena praça e a cadeira estava próxima a um banco de concreto. Ele deu a volta na cadeira e sentou no banco de modo a ficar de frente com Sara e se inclinou, olhando pra ela. Você ainda não entendeu, não é? Quando a gente gosta mesmo de uma pessoa não precisa ter ela desse jeito; ele deu ênfase no que. Eu não preciso sair de mãos dadas com você, te beijar, namorar, casar ou nada do gênero. Quando você realmente está a fim de uma pessoa você quer que ela esteja bem. E agora, você precisa se concentrar na sua doença e em ficar bem logo, mais nada. Precisa relaxar, e sair, e respirar ar puro e toda essa besteira. Por isso eu te ajudo, quando dá.

Ela olhava pra ele com uma expressão de dor.

- Vamos voltar agora, tá bom?
- Ok.

Ele deu a volta de novo e manobrou a cadeira para fora da praça, pelo mesmo percusso que vieram. Ela estava visivelmente constrangida mas ele não parecia estar assim, então Sara ficou aliviada quando ele rompeu o silêncio.

- Você perguntou isso por curiosidade ou...
- Curiosidade; respondeu ela, rápido, talvez até demais. Eu estava pensando nisso há algum tempo e a doença foi a resposta mais óbvia pra mim.
- Você pensa demais; respondeu João, encarando a roda que falhou no mesmo lugar de antes. Precisa ocupar sua mente com outras coisas.
- Tipo o quê?
- Sei lá, faz tricô.
- Isso é coisa de velha.
- Velha é aquele tipo de pessoa que anda de cadeira de rodas e que precisa da ajuda de outra pessoa pra sair da cama? Ele falou, com um sorriso sarcástico na cara.
- Você é uma pessoa desprezível, sabia? Ela deu um tapinha nele, falando com falsa indignação. Fazer graça com uma situação tão horrível.
- Ah, calma vovó um soco tão forte pode me deixar roxo, retrucou ele.
- Idiota
- Olha, eu vou sair agora pra resolver umas coisas na rua e volto mais tarde ok?
- Aham, vai lá.

Quando João passou pela porta a ouviu chamando e voltou. Ela provavelmente ia pedir pra ele comprar alguma coisa, já que o tom não era de muito alarme, mas ele foi um pouco mais rápido do que o costume só por precaução.

- O que foi? Ele disse entrando no quarto e sentando na cama ao lado dela.

Ela, ainda deitada, pôs a mão atrás da nuca dele com rapidez e, com uma força incomum para sua situação o puxou para perto dela.

E o beijou.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sem Saída




Então, vamos falar desse pérola de Hollywood.


Quando eu vi o Trailer de "Sem Saída" (Abduction - Sequestro, no original) eu fiquei extremamente ansioso por ele. A história era interessante e me cativou realmente. O que eu vi hoje acabou completamente com minhas expectativas. Agradeço muito ter aproveitado de uma promoção do cinema e ter pagado somente R$7,00 para ver esse filme, cujo título deveria ser "Clichê".

Olha o problema da verdade não foram os clichês. Eu não tenho problemas com clichês, vejo filmes com ele toda hora. Mas o negócio é que o filme era tão ruim que os clichês começaram a me irritar no final; onde, e eu tenho testemunhas para provar, eu tive que levantar a minha voz e pedir um saco de vômito.

Se os clichês não eram o problema, qual era? Bem, o personagem principal, que chamaremos de Jacob porque eu não vou procurar o nome real, sempre foi um jovem problemático, com problemas de insônia e agressividade. Logo no começo do filme ele começa a fazer um trabalho de Sociologia com a sua amiga, que chamaremos de Bella, para evitar a fadiga.

O trabalho é sobre crianças desaparecidas e é aí que Bella encontra uma foto de um menino que é muito parecido com Jacob [Ou Mark Wahlberg, segundo a própria Bella]. Desconfiado nosso lobisomem destemido mocinho coloca a foto num programa de envelhecimento e descobre que é adotado. Até aí tudo bem. 

Porém, depois disso, o filme começa a tentar forçar uma história que não me convence nem um pouco. Aqui irão aparecer muitos spoilers portanto não continue se não quiser estragar as surpresas dessa incrível história. A foto na verdade foi plantada no site de crianças desaparecidas pelo vilão do filme Russo Malvadão. O pai verdadeiro de Jacob roubou uma lista muito importante para esse cara e, para tentar chantagear o pai de nosso herói, vai atrás do filho dele. No filme também é dito que, depois da morte da mãe de Jacob, a CIA decidiu, com o apoio do pai do garoto, que ele deveria ir para uma "família adotiva" de agentes secretos da organização.

Muitas perguntas me vieram à cabeça. Sério que o plano incrível de Russo Malvadão era plantar uma foto de uma criança num site de pessoas desaparecidas e esperar que o menino fosse até ele? Sério que a CIA criou uma operação gigante só pra impedir que o filho de um (UM!) agente fosse utilizado como moeda de troca? Sério que o casalzinho feliz dormiu no meio de uma floresta depois de uma perseguição de carrros com tiros e explosões e a menina ainda conseguiu acordar com a escova marroquina em perfeito estado?

A história foi forçada demais para convencer, o que tira um pouco da graça de ver as cenas de ação, que foram sim muito bem feitas. E ainda no final ficamos com a expectativa frustrada de ver a cara do pai de nosso querido herói que ninguém pode saber quem é (Dermot Mulroney, descobri por causa da cicatriz na boca depois de intensos três segundos de meditação ali mesmo no cinema)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

01h20

Pedro não conseguia arranjar seus pensamentos direito. Nas ocasiões mais estressantes eles se distraía passando letras de músicas na cabeça. Mas essa situação era fora do comum. Era como aqueles momentos em que seus pensamentos se resumem em tudo e nada. A mente dele estava alvoroçada em um turbilhão de pensamentos mas ao mesmo tempo nenhum em especial se destacava. Todo o corpo dele se inclinava para a frente como se isso fosse acelerar o carro mais um pouco.
Mais tarde quando ele foi tentar contar a história não ia se lembrar de quando saiu de onde estava, quando chegou no apartamento ou qual foi a conversa no interfone. Ele ia se lembrar que o elevador demorou uma eternidade pra chegar e pra subir 22 andares. E ele poderia jurar que estava sozinho mas uma senhora simpática do 15º andar falou uns dias depois que tentou conversar com ele mas não teve sucesso.
O elevador para, outra eternidade pra porta abrir.
Quem atendeu a porta pra Pedro foi uma menina de cabelos castanhos, quase ruivos, com uma pele bem corada. Ela tinha olhos muito bonitos mas que no momento estavam com preocupação escrito neles.
- Oi Mari - disse ele - onde ela tá?
- Oi Pedro. Ela tá no quarto
- E como ela tá?
- Bem, eu acho - ela continuou enquanto os dois entravam. Ele fechou a porta - Ela tá descansando um pouco. Onde você vai?
- indo ver ela - disse aumentando um pouco a voz - Quero conversar.
- Pedro dá um tempo - respondeu Mariana abaixando a voz, quase sussurrando - E pára de gritar assim, ela tá dormindo e você não vai acordar ela.
- Que se dane, Mari eu vou falar com ela.
- Tá legal só não deixa ela muito nervosa, ela pode ficar com uns problemas pra dormir por um tempo. Qualquer coisa eu no meu quarto.

Os dois se separaram então. Ela foi para o outro lado do apartamento e Pedro caminhou por um corredor que dava para o outro quarto.
Ele estava entulhado de fotos na parede. Algumas eram de Mariana e de parentes, dava pra notar pelo toma de cabelo e pele parecidos. Os outros retratos mostravam uma menina da mesma idade de Mariana, mas essa tinha os cabelos muito negros e ondulados, uma pele branquíssima e olhos com uma aparência mais divertida que os dela. Não que isso importe um pouco pra história, na verdade não importava nem mesmo pra Pedro que passou por todos esses retratos rapidamente.
O quarto que ele entrou era bonito, e ao mesmo tempo bem simples. Tinha uma escrivaninha com muitos livros, uma cadeira no lado direito. Do lado tinha um aparador de madeira clara, com um aparelho de som e dúzias de CDs. Na frente dele tinha uma porta que dava pra uma simpática varanda mas ela estava escondida por cortinas. A luminosidade do abajur sobre a mesa de cabeceira dava um ar poético que deixava o quarto parecido com um quadro.
Na cama estava a menina dos retratos dormindo e ressonando debaixo de uma coberta clara. Não dava pra ver direito mas depois de uma segunda olhada você via que os lábios estavam inchados e alguns pontos da pele do rosto estavam arroxeados. A expressão dela dormindo não lembrava muito a jovem feliz dos retratos. Estava mais pra sonhos de discursos sérios.
Pedro se sentou ao lado da cama e fez um carinho nos cabelos dela.
- Lara - ele falou - Está dormindo? - Um sorriso apareceu no rosto da menina e ela olhou para Pedro
- Que coisa mais idiota de se perguntar pra uma pessoa de olhos fechados, numa cama, tarde da noite - Ela respondeu com um ar brincalhão que claramente era uma tentativa de tranquilizar. Não funcionou.
- Como você está? - Pedro continuou com o tom sério e o rosto contraído.
- bem - Ela respondeu - Toda roxa, morrendo de dor de cabeça, mas bem. Você não precisa se preocupar.

Pedro trocou sua cara de preocupação por uma expressão de espanto, com os olhos arregalados, e gaguejou um pouco antes de continuar

- Não preciso me preocupar? Você foi sequestrada, roubada e espancada e ainda fala pra eu não me preocupar?
- O pior já passou - emendou ela com um ar mais delicado de quem tenta convencer alguém sobre algo difícil - Eu estou bem agora e não aconteceu nada de grave comigo, graças a Deus
- Eles fizeram alguma coisa ruim com você? - Perguntou Pedro. Ela olhou pra ele com um olhar de que não entendeu o que ele queria dizer.
- Bem, é óbvio ?
- Não - continuou ele um pouco nervoso - Eles... sabe... Fizeram algo de errado com você? Te forçaram a...
- Oh sim - Interrompeu ela - Quer dizer, sim eu entendi. Não, não fizeram nada disso comigo, ainda bem.
- Ah sim.

Um momento estranho se instalou. Os dois ficaram alguns segundos sem falar nada, claramente embaraçados com a conversa anterior. Foi Pedro quem acabou com aquela situação.

- Onde foi?
- No centro perto daquele restaurante Japonês novo. Eles queriam o dinheiro que eu tinha na carteira mas eu não tinha nada. Aí eles começaram a me bater e a me xingar sabe? Eles me botaram dentro de um carro e me levaram pra um caixa eletrônico pra sacar algum dinheiro, mas também não tinha muita coisa na conta. Aí eles sacaram o que tinha a continuaram a me bater e a me xingar... Meu Deus como foi horrível! - Ela falava como se estivesse em estado de choque e a última frase foi dita num tom que parecia que era outra pessoa contando aquilo para ela.
- Sinto muito - Disse Pedro sem conseguir achar outra coisa pra dizer no momento.
- Obrigada.

Começou outro silêncio constrangedor. Dessa vez foi até bem vindo. Era necessário um tempo pra uma conversa dessa ser digerida. Foi Lara quem rompeu o silêncio dessa vez.

- Não foi culpa dele - Disse, lendo a mente do amigo
- Eu não botei a culpa nele
- Dá pra sentir você botando a culpa nele daqui
- Olha Lara eu realmente não quero ficara falando daquele idiota agora tá?
- Tá bom.
Outro momento de silêncio. Mas dessa vez Lara sabia quem ia quebrar o clima. Ela sabia que Pedro queria sim falar mal "daquele idiota e só estava esperando até ele começar a falar.

- Foi muita irresponsabilidade dele.
- Ele não foi irresponsável, sabia que ali era perigoso ele até..
- Então ele sabia do risco que você corria e deixou você passar por ali do mesmo jeito?
- Olha ele queria me trazer até aqui mas ele tinha que ir pra casa logo, eu falei que ele podia me deixar ali no restaurante e eu me virava até em casa. Ele não queria mas eu insisti. A culpa foi minha.
- Eu não tirando a culpa de você, sua idiota, mas ele não devia ter cedido à sua insistência.
- Ah, cala a boca.
- Cala a boca nada - falou ele, aumentando o volume - você já namorou muito idiota, e eu nunca falava nada, mas nesse você se superou.
- Não fala assim eu realmente amo...
- Ama nada. Você ama todo mundo que vê, é a vadia do "Eu te Amo" sabia? - Pedro falava muitas vezes isso pra ela.
- Sim, eu sei.
Seguiu-se outro silêncio. Dava pra ouvir os carros passando na avenida em frente ao edifício. Era um ruído que Pedro amava, poderia ficar horas ouvindo aquele barulho. Ele estava quase num transe com o som e por isso quase não ouviu o que Lara tinha dito.

- Você não precisava ter vindo tão depressa. - Os dois sabiam que a discussão tinha acabado
- Ah que isso, arrematou ele com um sorriso, eu demorei até demais.
- O fato de você estar numa cidade há alguns quilômetros dessa serviria como desculpa pra você não precisar me visitar por alguns dias. Era pra você voltar só amanhã.
- Tecnicamente eu já voltei amanhã, já passa da meia-noite.
- É sério Pedro.
- Eu não tinha nada pra fazer. Só ia voltar amanhã porque tava cansado pra viajar. Minhas aulas todas acabaram sabia? Quando a Mari me ligou eu dei baixa no hotel super rápido e vim pra cá. Você sabe que eu não ia dormir mesmo depois dessa.
- Quanto tempo você demorou?
- Ah isso não importa.
- Você veio correndo ? Que ajuda você pode dar com um poste enfiado na sua cara?
- Desculpa, não tava pensando direito. - Ele então mudou pra um tom sarcástico - Porquê mesmo? Ah sim! Porque minha amiga estúpida tinha sido espancada e assaltada por causa do namorado idiota e da própria irresponsabilidade.
- Ah vai, esquece isso. promete que, se alguma coisa tipo essa acontecer de novo você vai ficar mais calmo?
- Não vai acontecer de novo.
- Nunca se sabe, pode acontecer. Promete.
- Você vai tomar mais cuidado agora?
- Mesmo se eu tomar cuidado qualquer coisa pode acontecer. Promete.
- Tá bom, eu prometo.
- Ótimo.
- Você sabe que eu te amo garota?
- Sei sim, e eu também te amo seu idiota.
- Eu vou embora. Pede desculpas pra Mari pra mim?
- Porquê?
- Eu posso ter sido meio rude com ela quando cheguei.
Lara soltou uma careta de desaprovação. Não tinha mais ninguém no mundo tão gente boa quanto a Mari e quando alguém fazia alguma coisa com ela Lara ficava realmente chateada, mas acabou deixando pra lá.
É óbvio que Pedro não saiu do quarto. A conversa continuou por um tempo. Depois Ele se acomodou no chão com um urso dela como travesseiro e eles continuaram a conversar até dormirem.

sábado, 26 de junho de 2010

www.mybossisbipolar.com

Descobri já há algum tempo que meu chefe sofre de um padecimento extremamente pénossacante. Olhei na wikipédia e estava lá: síndrome do chefe bipolar. O artigo de conteúdo extremamente sério possuía uma lista de alguns dos sintomas da doença: necessidade de distribuir críticas constantemente, aversão ao trabalho, ausência de senso de ridículo além de alguns fatores que não são sintomas mas são características comuns aos pobres portadores dessa deficiência (mental) como o fato das progenitoras de todos os portadores serem garotas de programa e de todos serem homossexuais.
Não satisfeito com a definição dada pelo compêndio (de grande valor acadêmico, devo admitir) e completamente consternado com a saúde de meu querido chefe resolvi fazer uma pesquisa com alguns cidadãos pelas ruas e descobri um fato chocante: Chefes são chatos! Citarei aqui alguns dos depoimentos obtidos na enquete:

A senhora Margarida dos Alves, doméstica teceu o seguinte comentário sobre sua patroa: "Aquela vaca gorda devia se importar mais em vigiar o marido galinha dela do que me encher o saco dizendo que o glade tá no lugar errado"

Mário Luiz, atendente de telemarketing, relatou o seguinte: "Aquele corno devia parar de comer tanta rosquinha enquanto finge que trabalha porque quando ele vem com aquele papo nojento de gordo reclamar do nosso trabalho sempre acaba cuspindo glacê rosa na nossa cara."

Com o intuito de ajudar tão sofrida classe de mandantes perguntei aos populares quais eram suas sugestões para acabar com o problema. Eis aí o resultado:

"Nóis divia matá esse disgraçadu" - Waldisney - motoboy

"Você sabia que cianureto é um veneno rápido e indolor?" Carla, vendedora

" A gente devia se juntar e pegar o desgraçado do meu chefe, raspar todo o corpo dele jogar ele numa tina com álcool. Depois a gente poderiadar um banho de sangue de boi nele e jogar dentro de um tanque cheio de piranhas. Pelado. Pra falar a verdade acho que vou fazer isso agora mesmo." Anônima (por motivos óbvios) - atualmente uma presidiária, antes assistente executiva num escritório de advocacia.

Após ter recolhido os dados relatados acima resolvi que a maneira mais sensata e racional de resolver o problema era ter uma conversa franca com meu chefe trazendo atenção, com calma e respeito devidos, aos sintomas do referido padecimento e dizendo como isso contribuía para um clima um pouco desagradável para todos no ambiente de trabalho
Antes de fazer isso resolvi conversar com uma pessoa que tinha um relacionamento saudável com o chefe para que ele pudesse me dar dicas de como ter um relacionamento igual. Ele me deu uma solução que me permite agora ter uma relação muito mais agradável com meu chefe. Café com calmantes e bolachas de marihuana.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

01h00m

- Então você quer que eu indique alguns dos meus colegas de curso pra você?
- Exatamente
- Não é fácil senhor, eu sou amigo de muita gente lá. De qualquer jeito eu vou me sentir como se estivesse traindo alguém
- Ninguém vai saber que você me ajudou. E você sabe que pedir sua opinião é a coisa certa a fazer nesse caso
- Com todo o respeito, essa não é sua tarefa senhor?
- Algumas tarefas devem ser delegadas Pedro. Eu tenho uma lista que a direção do curso me ofereceu. Me fale um pouco desses garotos
- Tudo bem. São todos muito inteligentes mas alguns tem umas características que podem facilitar. Acho que não deve considerar as irmãs Cristo, por exemplo
- Posso saber o porquê?
- São pouco tolerantes e fazem corpo mole. Dificulta muito a situação às vezes
- Certo
- O Roberto é grosso e extremamente indelicado. Mas é comprometido com o que faz. O grupo das aulas práticas dele sempre acabava as tarefas mais rápido. O senhor vai gostar de tê-lo na equipe.
- Entendido. Mas e quanto à sua escolha óbvia?
- Eu já ia chegar lá. A Isabel é flexível e deixa um clima legal no grupo, e é muito inteligente
- Continue
- O Leandro e o Pedro formam uma boa equipe. E também são bastante tolerantes, o que é sempre bom num grupo diversificado. São meio brincalhões mas não são estúpidos. O Leandro é bom com planejamento e o Pedro na parte prática. Coisa que o homônimo dele é super desfavorecido.
- Mais alguma recomendação?
- É melhor ficar longe do Elias e do Lúcio. São até legais mas são muito ignorantes. Causam um clima desagradável nas situações de tensão e criam confusão com as coisas mais simples
- Obrigado Pedro. Os quatro que você indicou vão ter uma chance. O resto das vagas eu mesmo posso escolher sozinho. Mas já vou escrever e despachar as primeiras cartas. Obrigado pela ajuda.
- De nada senhor
- O projeto que eu te enviei ontem como está?
- Alguns problemas com os equipamentos mas eu já estou consertando. Fora isso, tudo bem
- Ótimo se acontecer alguma coisa mais urgente pode me chamar
- Pois não

Imagine

- Umm. Parece que você gosta dessa música
- Beto! Puxa nem te vi aí!
(risada)
- Oi Nessa como vai?
- Ah tá tudo normal ? Dentro do possível...
- Legal. E como vai aquela escola?
- Ah louca como sempre. Ainda bem que é meu último ano lá.
- É dá um alívio ? Mas ao mesmo tempo um aperto no coração porquê você não vai ver mais seus colegas... Peraí você ainda tá brigado com a sua turma que nem da última vez que a gente se falou?
- Não agora tá tudo bem. Quer dizer não vai ser mais como antes mas a gente se fala.
- Que bom quando a gente se falou você tava até fazendo um trabalho que todo mundo tava fazendo em grupo sozinha lembra?
- É eu lembro, respondeu rindo.
- Mas e aí? Você ainda continua apaixonada por aquele menino "lindo"?!
- Ai pára ele não era tão feio assim...
- Não para o Mike Jagger.
- Ah pára ele era bonitinho.
- Tá bom acredita nisso que é legal.
- Não eu desencanei dele.
- Graças a Deus!
- A gente tá falando muito de mim. E você como vai?
- Vou desempregado.
- Ih que chato!
- É. Ficar três anos naquela escola pra agora não conseguir o "emprego dos sonhos" que eles falavam...
- Ummm. A mesma pergunta pra você. Ainda a fim da...
- Aninha? Não... Eu percebi depois de um tempo que era muita loucura. Eu não conheço quase anda dela. Na verdade não conheço nada mesmo.
- E aí nada agora?
- Bem... Eu fiquei meio confuso por um tempo. Fiquei meio a fim de alguém mas era só saudade... Era uma amiga da escola.
- Ah sim.
- E aí eu fiquei um tempo sem nada na cabeça. Nada mesmo o tédio me fez ficar em stand by, sabe? Continuou ele, sorrindo.
- Mas então...
- Ih...
- Pois é. Mas então veio a conferência e eu vi alguém que é minha amiga. E sei lá me deu uma coisa sabe?
- Aham.
- Eu sei que eu não estou perdido de amores por ela. É mais uma vontade de estar sacou?
- Aham sei. Da conferência ? Eu conheço? Me diz quem é!
- Há não mesmo.
- Ah qual é você é meu amigo eu não vou fazer nada.
- Você vai contar.
- Não vou não
- Vai sim. De um jeito ou de outro.
- Poxa Beto assim você me ofende. Parece que você tá me chamando de linguaruda.
(suspiro)
- Olha você não precisa me contar é só que parece que você não confia em mim. Eu não vou contar pra ela!
- Você não entende você vai contar eu tenho certeza.
- E porque você tem certeza de que eu vou contar? Como você pode ter tanta certeza?
(suspiro)
- Porque ela é você.

Imagine II

- Marina você pode ajudar o Beto na Cozinha? Por aqui tá tudo tranqüilo, eu dou conta sozinha.

- Tá bom mãe, disse Marina saindo do jardim e indo pra cozinha, Beto minha mãe pediu pra eu te ajudar, o que eu posso fazer?

- Peraí, e ele se inclina para pegar um pote e uma faca, corta esses legumes pra mim por favor? diz ele apontando para a mesa

- Ok

- Eu vou passar as músicas agora, vocês podem me dar uma ajudinha? Gritou dona Lúcia, sua voz vindo agora da sala de estar.

- Podemos - gritaram os dois da cozinha

- Tá bom

- Cara sua mãe é muito louca né? Ela parece ser uma amiga sua da escola.

- É mesmo - diz Marina sorrindo - Mas você não pode falar nada, eu conheço seus pais lembra? Sua mãe também é super legal.

- Verdade somos sortudos - e surge uma pequena pausa - O quê que é isso? Sua mãe está preparando a trilha sonora para um velório?

- O que vocês acharam dessa? - gritou dona Lúcia novamente da sala

- Horrível - disseram os dois juntos, e trocaram um sorrisinho. Depois de um tempo como amigos é comum ter esse tipo de "fusão linguística".

- Mas é pra dança lenta, pra descansar um pouco entre algumas músicas agitadas.

- Põe uma baladinha no lugar dela Tia Lúcia.

- É mãe e tira essa música lenta do seu tempo, gritou Marina com uma ênfase maior na palavra "seu"

- RÁ RÁ - respondeu dona Lúcia - O que eu posso por no lugar?

- Mad About You Tia Lúcia!

- Tá bom!

- Que música é essa?

- Você já vai ouvir - e se ouve o barulho dos CD's batendo ruidosamente uns nos outros - Calma Tia Lúcia meus CD's não fizeram nada de mal!

- Desculpa! - disse dona Lúcia - Achei!

- Ah! - exclama Marina quando a música começa a tocar

- Gostei dessa - grita dona Lúcia lá na sala.

- Sabe, eu queria saber dançar lento. Na verdade eu queria saber dançar, mas eu fui genetticamente programada para ter dois pés esquerdos.

- Que isso Mags - disse Beto chamando Marina de um dos seus apelidos secretos e inexplicáveis - Não é tão difícil assim sabe? A Gabi me ensinou enquanto a pipoca estourava.

- Não é possível que algum humano me ensine a dançar desse jeito.

- Isso me pareceu um desafio, vem cá.

- Pra quê?

- Anda logo Mags eu não vou te morder, falou Beto, não muito, adicionou depois, sorrindo.

Marina ainda pensou um momento antes de largar a faca com um suspiroe chegar mais perto de Beto. Era tudo uma encenação é claro. Ela sabia, e Beto também, que aquilo foi uma indireta pra ele ensiná-la a dançar. Marina já estava reclamando da pouca aptidão dela para dança há um tempo. Afinal ela dizia sempre que " A dança é uma habilidade praticamente indispensável na sociedade atual". E depois de um tempo da amizade a telepatia também é desenvolvida.

- Muito bem, disse ele com uma cara divertida, agora tira as mãos da minha cintura e bota na minga nuca como uma menininha normal.

- Porquê?

- Que tipo de menina você é? Nunca viu um romance adolescente? A mão da menina sempre vai pra nuca do menino.

- Nuca, ok

- E minha mão vai pra sua cintura

- É claro que vai

- Sem feminismo exagerado. Agora fica parada e olha pro meu pé. Veja se consegue executar esse passo dificílimo: um-pra-lá um-pra-cá. Conseguiu pegar? Começa

- Não vou me desculpar pelos pisões no seu pé.

- Não se preucupe, um pisão seu não deve doer muita coisa; disse Beto com um sorriso de orelha a orelha que revelava o quanto ele estava amando a situação; Agora pode começar a dançar. E, se quiser continua a olhar pros seus pés. Quando você já tiver uma noção dos passos olha pra mim.

- Cindy Lauper! Eu amo ela! - Gritou dona Lúcia da sala quando "True Colors" começa a tocar

- Essa é boa - gritaram os dois, juntos novamente, Marina ainda olhando pros próprios pés e Beto fazendo um movimento estranho para poder desligar o fogão.

- Já tá tudo pronto – murmurou ele ainda olhando para o fogão e chegando mais próximo do rosto de Marina sem nenhum dos dois perceber – Nem vou precisar dos que você picou – emendou quase sussurrando no ouvido dela.

Marina respondeu com um resmungo e continuava sem tirar os olhos dos pés. Beto se adiantou:

- Sabe Marina você pode olhar pra mim

- Ainda não sei se consigo fazer direito, sem pisar no seu pé – respondeu ainda sem tirar os pés do chão.

- Tudo bem, pisões são parte essencial do processo de aprendizado, falou ele com uma voz macia.

Marina olhou para cima e viu aqueles dois olhos negros fitando-a intensamente. Por poucos segundos Beto manteve aquele olhar e ela ficou hipnotizada por aqueles olhos extremamente negros que pareciam olhar dentro dela. Daí Beto abriu um sorriso luminoso quebrando a tensão do momento e começou a falar.

- Viu? Você não pisou no meu pé! Parabéns!

- Obrigada, disse ela ainda embriagada e tão logo que saiu dessa sensação deu uma pisada no pé de Beto.

- Desculpa.

- Bem, disse ele, você não poderia acertar tudo na primeira vez não é?

- Até que eu não fui tão mal certo? Não é assim tão difícil mesmo.

- Eu te disse.

- Mas eu tive um professor bom

- Puxa! Obrigado!

- De nada, mas é a verdade.

- Crianças, eu vou sair rapidinho pra pegar umas coisas e já volto tá bom? – Disse dona Lúcia que parecia que tinha sumido do universo dos dois por um tempo.

- Tá – disseram os dois, e deram outra risada, dessa vez muito nervosa. Logo depois se ouviu a porta da frente se fechando. E os dois saíram um pouco do transe. A pequena reunião, não se podia chamar de festa, que eles estavam preparando era para um jovem casal que estava completando sete anos de casados. Os dois pegaram o que tinham que pegar e começaram a levar para arrumar na sala.

- É incrível não é?

- O quê?

- O Jorge e a Ana estão casados há um bom tempo e parece que eles ainda estão namorando. Esses dias eu vi os dois num dia frio, agarradinhos e conversando e rindo que nem dois adolescentes...

- É verdade. É assim que um casamento deve ser. Muita gente que se casou há menos tempo não tem um décimo do carinho dos dois. E muita gente que se casou há menos tempo que eles já ta se separando.

Outra música lenta começou e Beto olhou novamente para Marina e convidou-a para outra música estendendo a mão. Dessa vez eles se mantiveram com as cabeças mais afastadas, como num acordo silencioso para evitar outra situação constrangedora. Marina foi quem começou a falar.

- Isso me lembra uma coisa. Faz um tempo que a gente não fala de você Beto. Quero dizer de suas aventuras amorosas, retificou com um sorriso no rosto.

Beto ficou por um segundo admirando o rosto dela e depois de um suspiro muito longo ele começou a falar olhando em outra direção.

- Não tem mais ninguém que eu esteja a fim agora.

- Você sempre está a fim de alguém, não me engane.

- Tá bom eu estou a fim de alguém sim. Disse ele sorrindo do jeito que ele fazia quando fazia charme pra contar alguma coisa.

- Eu sabia, e é claro que você não vai me contar.

- Você sabe como eu sou: não falo até esquecer ou até a menina dar algum sinal que também está a fim.

- Sei, disse ela com a cara de frustrada.

- Mas ela tem um risco.

- Qual é? Disse Marina virando o rosto para ele.

- Ela pode dizer não e acabar com tudo o que a gente tem.

- Então ela é próxima de você?

- Não se faça de boba Marina, disse ele, e os dois pararam juntos. Você sabe quem é.

De novo ela ficou hipnotizada pelos olhos dele que agora estavam ardendo em chamas. O ambiente ficou silencioso já que a música tinha parado, como se ela soubesse que estava sendo uma intrusa naquela sala.

E de repente Marina viu que isso tudo fazia sentido. Que ela se sentia melhor quando estava perto dele, que estar ali com a face quase colada com a dele era a coisa mais perfeita que ela podia esperar no mundo, que ela se sentia absurdamente segura quando estava abraçada com ele, e como ela se sentia completa perto dele. De repente ela quis saber o quão perfeito ia ser dar um beijo nele. Ela queria aquilo agora mais do que tudo no mundo. Então ele se inclinou como que ouvindo os pensamentos dela novamente e a beijou. E tudo estava perfeito.